Territórios
Mapeamos produtores e pescadores alinhados aos princípios sustentáveis do Instituto, em todo o Estado. Uma vez encontrados, fazemos a ponte com restaurantes, alavancado o seu potencial como destino turístico responsável e promovendo o desenvolvimento econômico de toda a cadeia.

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Rio de Janeiro: os vegetarianos do século XIX, no Rio de Janeiro

{"time":1770226846272,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A dieta vegetariana do século XIX, no Rio de Janeiro, se inspirava no modelo inglês da Vegetarian Society e seus 3.000 sócios. Não pregava apenas “não matar animais”. Num artigo do Auxiliador da Indústria Nacional, de 1861, a “seita dos legumistas” implicava também em não juntar sal ou especiarias aos alimentos; não separar o farelo da farinha de trigo; tomar somente água – nada de chá ou café; fazer exercícios “gymnasticos” e tomar banho, além de usar vestimentas simples “conforme a Natureza”."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"No século passado, na década de 1970, o movimento da alimentação chamada de “natural”, no Rio, e o vegetarianismo tinham muita intersecção. Não à toa, o sanduíche natural, dieta certa da geração saúde, se associou à cultura dos esportes ao ar livre, como a asa delta e, em especial, o surf, e se tornou uma identidade fortíssima das praias de São Conrado e Barra."}}],"version":"2.18.0"}

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Estado do Rio: a história gastronômica da Serra do Rio de Janeiro

{"time":1770389434467,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"O planalto da região serrana do Rio de Janeiro concentra uma herança europeia visível na arquitetura, na agricultura e, sobretudo, na gastronomia, onde tradições artesanais moldam a identidade dos territórios à mesa. Fundada em 1818 por D. João VI, Nova Friburgo é a primeira colônia de imigrantes não portugueses do Brasil. Foram os suíços e, depois, os alemães, que trouxeram a cultura da charcutaria e dos processos artesanais ligados à criação e ao preparo de carnes suínas. Essa memória permanece nos pratos à base de porco, nos embutidos e nas preparações longas, ainda presentes nos restaurantes serranos."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Em meados do século XIX, Nova Friburgo tornou-se importante exportadora de banha para a capital. Antes da geladeira, a banha era usada para conservar alimentos, de feijões e legumes a carnes. Em 1887, o Jornal do Commercio destaca os produtos da Fazenda Gavião, do Barão de Nova Friburgo, como “toucinho de primeira qualidade” e “banha pura de porco”. Desde então, a suinocultura friburguense manteve-se ativa; no início da década de 2020, o município contava com mais de quinze produtores de charcutaria artesanal."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Um dos reflexos desse movimento pode ser observado entre o centro de Nova Friburgo e a rodovia RJ-116. Em Mury, localiza-se a charcutaria artesanal Porco Alado, a única no Brasil com cave subterrânea, cujos presuntos, copas e embutidos aparecem nos cardápios de restaurantes cariocas. Por outras estradas da serra, surgem cachoeiras, áreas de mata e as formações do Parque Estadual dos Três Picos."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Atravessando Teresópolis, o percurso chega a Petrópolis, na Serra dos Órgãos, escolhida por Dom Pedro II como refúgio de verão. A presença da família imperial e da elite carioca deixou como legado palácios e palacetes que ainda compõem a paisagem urbana. Essa ocupação marcou também a gastronomia local: pratos como aves com molho de frutas, pernas de vitela e de cordeiro, além do filé à Wellington, expressão de uma cozinha aristocrática inglesa, eram servidos nos restaurantes serranos. Ao lado desses pratos quentes, preparações frias como patês, mousses e rillettes passaram a ocupar lugar recorrente nos couverts, prática registrada desde o século XIX. Em 1844, o Jornal do Commercio noticiava a construção do palácio que daria origem à povoação; poucas décadas depois, por volta de 1900, a cidade já contava com restaurantes e recebia veranistas."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A gastronomia serrana guarda também a memória dos quintais: aves, patês, doces de frutas e preparações caseiras que, ao longo do tempo, migraram do ambiente doméstico para a mesa de hotéis, pensões e restaurantes. Em Petrópolis, por volta de 1850, colonos alemães produziam laticínios, pães, bolos e biscoitos, criavam porcos para embutidos e defumados e abasteciam estabelecimentos locais, consolidando a presença da charcutaria e dos patês na mesa serrana, preparações que revelavam o aproveitamento integral do animal, prática sustentável recorrente à época."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Com o passar dos anos, já no início do século XX, esses traços mantêm-se e se ampliam por toda a região serrana. A mesa dos restaurantes passa a incorporar, de forma recorrente, animais criados nos quintais, muitas vezes acompanhadas por molhos de frutas, além de legumes, embutidos, queijos, bacalhau e massas, compondo um repertório presente em diferentes cidades e restaurantes."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Em Teresópolis, a mesa dos restaurantes refletia a presença dos laticínios e das cozinhas europeias. Os queijos produzidos na Queijaria-Escola, como o minas frescal, o raclette e o moleson, abasteciam os restaurantes da cidade. As massas ocupavam lugar central, com espaguetes, canelones, raviolis, lasanhas e capeletes servidos em casas como La Bella Massa e Piccola Torino, ao lado de preparações como lasanha verde de galinha, lasanha de camarão e capelete à Napoli. Na região do Parque Regadas, apareciam pratos espanhóis, como o bacalhau à espanhola, além de fondues, racletes e sorvetes de frutas. Restaurantes como o Gota d’Água serviam trutas com amêndoas, feijoada e frango com quiabo, enquanto casas de tradição portuguesa ofereciam bacalhau com batatas e molho de brócolis, filés de pescada acebolados e doces como ovos moles."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Nos arredores de Petrópolis, especialmente em Corrêas e Itaipava, o repertório incluía cozinhas de inspiração francesa, alemã e italiana. Em Corrêas, surgiam pratos como filé em iscas flambado no conhaque com champignons, trutas com uvas verdes, frango grelhado com molho de geleia de laranja e maracujá e roast-beef flambado, além de preparações da cozinha alemã como kassler, chucrute, salsichas e lentilhas. Em Itaipava, restaurantes especializados em massas serviam caponata, carpaccio e strudel de ricota e espinafre, ao lado de pratos como pato com molho de amoras, coelho na manteiga e crepes com queijo de cabra."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Nesse mesmo território, em Itaipava, o restaurante Faraona estruturou sua proposta a partir do cultivo de verduras e legumes, da criação de cabritos e leitões e do uso de galinhas-d’angola — ou faraonas, como são chamadas em italiano —, ave tradicionalmente criada na serra. O cardápio, enxuto, incluía entradas como carpaccio especial, porchetta romana e salada com galinha-d’angola, ervas, tomate e aipo. As massas compreendiam ravioli de alcachofra, lasanha clássica, tagliolini com tomate e ricota defumada e tagliatelle ao funghi. Entre os pratos principais figuravam filé com ervas finas e batatas, peito de galinha-d’angola assado com polenta e couve-de-bruxelas, cabritinho com ragu e feijão branco, e leitão assado com batatas coradas."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Mais adiante, no Vale das Videiras, a relação entre paisagem, tempo e mesa se estabelece a partir de bares e restaurantes ligados às antigas fazendas do vale. Desde meados do século XX, a região passou a receber visitantes em almoços de fim de semana. Ao longo das décadas seguintes, restaurantes e pousadas estruturaram cardápios nos quais apareciam patês, aves, coelhos, carnes de preparo prolongado e massas."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"No início dos anos 2000, esse conjunto ganhou projeção com restaurantes como a Locanda della Mimosa, onde pratos como peixe fresco com molho de três tomates, lasanha de funghi porcini e lombo de cordeiro com molho de amêndoas integraram o repertório local; o Faraona, em Itaipava, com o pappardelle de pato e galinha-d’angola ao vinho; o Solar Fazenda do Cedro, com ossobuco de vitelo com frutas flambadas; e a Pousada Fazenda das Videiras, onde coelho marinado no vinho tinto era servido em jantares e menus-degustação. No Pirilampo, restaurante instalado no Vale das Videiras, surgiram preparações como vol-au-vent de pato com tâmara, confits, ragu de cordeiro e pratos sazonais associados aos menus de inverno."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Em Nogueira, distrito de Petrópolis, esse repertório reaparece em chave contemporânea. À frente do Angá Ateliê Culinário, Lydia Gonzalez retoma tradições locais como o patê, preparação associada ao aproveitamento integral dos animais de quintal, além de pratos que dialogam com a cachaça e o fubá."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"“Esse senso de pertencimento e essa relação com o meu entorno fazem parte da nossa cozinha. Muito do que expressamos vem dessa conexão com o lugar onde estamos”, afirma Lydia Gonzalez. Assim, a Serra Fluminense se apresenta por meio de sua geografia, dos fluxos migratórios, das práticas agrícolas e da mesa posta, onde restaurantes articulam história, técnica e tempo."}}],"version":"2.18.0"}

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Rio de Janeiro: a chegada do gelo no Rio de Janeiro

{"time":1769109712145,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"&nbsp;Durou mais de 6 semanas a viagem do Madagascar, navio que carregou 300 toneladas de gelo dos EUA até o Rio de Janeiro. A novidade vinha das águas do lago Potomac, perto de Boston, e daria à cidade o melhor presente de todos os tempos: um pouco de frio.<br><br>Com os 30 graus médios do Verão, imaginem a água, vinhos e a onipresente pinga, descendo a garganta em temperatura ambiente?<br><br>Apesar de perder uns 40% da massa durante a viagem, o comércio ainda era um bom negócio para Frederic Tudor, “o Rei do Gelo”. O produto sensacional, coisa de rico, ficava em depósitos cobertos de serragem por até 5 meses, e era distribuído em blocos de 5 kg a 45 kg para tudo quanto era negócio: da conservação de peixes ao necrotério.<br><br>A carga mais valiosa do Madagascar, no entanto, era o sonho daquele que viria a ser um dos produtos mais emblemáticos do Rio de Janeiro: o sorvete.<br><br>Saudamos o Verão carioca, felizmente “on the rocks” desde 1834.&nbsp;&nbsp;"}}],"version":"2.18.0"}

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Estado do Rio: como saber se o peixe é de pesca artesanal?

{"time":1767623066662,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"&nbsp; Como saber se um peixe é de pesca artesanal, num restaurante?<br><br><a href=\"https://www.instagram.com/ian.medeiros.fx/\">@ian.medeiros.fx</a>, pescador artesanal e sócio do Fixi, em Arraial do Cabo, dá algumas pistas:<br><br>- Peixes de águas rasas, pescados próximo à costa, podem indicar que vieram de pequenos pescadores, já que os industriais não costumam conseguir chegar ali. Prefira pampo, olhete, piraúna/perumbeba, badejo e cavala, por exemplo.<br><br>- Preferimos quando o nome do peixe não vem escrito no cardápio: quem trabalha com peixe fresco não consegue garantir que ele esteja sempre disponível.<br><br>- Ter “salmão” como peixe do dia, achamos curioso. Quando um salmão, sempre associado à pesca industrial, está no cardápio, a possibilidade do restaurante trabalhar com outros peixes de pesca industrial é grande.<br><br>Diferente da pesca predatória, a artesanal garante um pescado mais fresco, já que o produto chega ao restaurante poucas horas depois, preserva o ecossistema e emprega pescadores sempre de perto, movimentando a economia local.&nbsp;&nbsp;"}}],"version":"2.18.0"}

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Estado do Rio: petisqueiras, identidade carioca

{"time":1764790799967,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"&nbsp; Você já ouviu falar nas “petisqueiras”?<br><br>Pode-se até pensar em petiscos, mas petisqueira eram sinônimo de “iguarias”, “coisas deliciosas”. Foram o primeiro “ensaio” de uma gastronomia genuinamente carioca.<br><br>O primeiro registro que encontramos foi “A Petisqueira do Catete”, que surgiu em 1850, no bairro chique da época.<br><br>Até então, só restaurantes de hotel serviam uma comida de qualidade, mas os pratos eram quase sempre anunciados em francês e em preparações bem européias. Os demais, fossem estalagens, tabernas, casas de pasto ou botequins, serviam uma ração qualquer, destinada a matar a fome.<br><br>As petisqueiras chegaram com variedade e qualidade. Tinham forte influência dos colonizadores, com certeza, mas já misturadas a pratos de origem africana, ostras e peixes da nossa costa; coelhos e pombos da nossa terra.<br><br>O pesquisador do Instituto Bazzar&nbsp;<a href=\"https://www.instagram.com/pedromelloesouza/\">@pedromelloesouza</a>&nbsp;conta um pouco sobre esse momento do Rio de Janeiro.&nbsp;&nbsp;"}}],"version":"2.18.0"}

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Estado do Rio: charcutaria artesanal da Mata Atlântica

{"time":1764790105779,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"&nbsp; A literatura europeia falava de ambientes secos e controlados, mas Breno, da Porco Alado (<a href=\"https://www.instagram.com/charcutariaporcoalado/\">@charcutariaporcoalado</a>), teve de aprender a lidar com a umidade que a Mata Atlântica trazia à sua charcutaria, feita predominantemente de porcos nativos, no Rio de Janeiro.<br><br>Sua cava é um resumo de muitos anos de estudo do entorno: da riqueza da floresta, seus frutos e leveduras. Pancettas, bacon, lonza, copa, lombo, pastrami, prosciutto de pato e outros, ganham ali uma textura mais leve, doce, amanteigada e cítrica, com um toque terroso de cogumelos. Um exemplo de excelência nacional, sem paralelo no mundo.&nbsp;&nbsp;"}}],"version":"2.18.0"}

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